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Natal é uma celebração estranha. Aqui em casa virou um momento para juntar a família, comer bastante, beber bastante e trocar alguns presentes. Não temos árvore de natal, não temos nada que remeta a tal data, muitas vezes nem presentes. Mesmo na mesa, preferimos dar lugar a outras guloseimas que não aos tradicionais pratos natalinos.

Eu passei a gostar de natal pelo momento que a noite me proporciona, mesmo ela podendo ser em qualquer outra data. Gosto de me vestir bem, deixar a casa bonita, encher a geladeira de champanha, convidar os amigos e celebrar como se não houvesse amanhã, quando então acordo numa ressaca mortal, prometendo a mim mesma que passarei o próximo ano sem colocar um pingo de álcool na boca. Claro que não funciona, já que no dia 25 a tarde eu já estou, como de costume, com uma taça de vinho na mão ou mesmo uma cerveja bem gelada.

O Natal com minha família é algo bem recente. Budistas que eram, não viam qualquer razão para comemorar tal data. Na infância eu ainda ganhava presentes, montava uma árvore de natal artificial, branca e pequena, que decorou a sala da casa dos meus pais por anos a fio. Era sempre uma alegria abrir a caixa dias antes do natal, sentar no meio da sala, monta-la, colocar bolas bonitas e coloridas, para que no dia 24 alguns presentes ali repousassem à minha espera.

Fui feliz, mesmo num natal quase sem graça, em que meus pais jantavam cedo e se perdiam entretidos na novela das 8. Depois veio a adolescência com fuga para noites natalina na casa de amigos ou mesmo namorados. E assim fui, migrando de natal em natal para a casa de alguma família que não era a minha.

Não entendi bem o porquê, mas de repente soube, como segredo de estado, que meus pais tinham deixado o Budismo de lado. Começaram a frequentar a igreja às escondidas, sempre inventando desculpas esfarrapadas quando eu ligava para eles e ninguém atendia o telefone. Achei engraçado.

Decidi então que instituiria o Natal na minha família com direito à ceia, troca de presentes, abraços à meia-noite com desejos de feliz natal, mesmo sem sentir qualquer relação com a data. E ainda assim não deixa de ser legal. Religiosamente há 4 anos fazemos o natal na minha casa, reunindo a família e os órfãos de natal, assim como eu sempre fui. Gosto de ver a casa cheia, barulhenta, bêbada.

 

O mais importante nesse natal foi eu parar, respirar, rir e assumir todas as “gemianices”, para assim amenizar um pouco:

– cheguei aos 40, mas ainda acho que não cresci o suficiente
– não sei o que eu quero da vida
– preciso de um holofote sobre mim de vez em quando
– preciso estar envolvida em projetos criativos, senão minhas unhas sofrem horrores com a ansiedade que se abate contra mim
– odeio lidar com questões burocráticas, financeiras e administrativas
– só sei vender o que eu compraria, ou seja, não conseguiria vender uma geladeira pra pinguim
–  já fui uma pessoa mais divertida
– continuo reclamona e mudando de ideia o tempo toda, espero diminuir a primeira questão

E olha que ainda nem cheguei nas reflexões de virada de ano.

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Hoje é dia de deleite musical. Depois do Bowie, agora é hora de ser presenteada com o show na íntegra do Nine Inch Nails, em Los Angeles em 1:17 de puro deleite (e sonho em ve-los ao vivo novamente):

Fiquei aqui lembrando as duas vezes que vi show deles ao vivo. O primeiro foi no finado “Claro que é Rock”, que  reuniu na mesma noite NIN, Iggy Pop, Flaming Lips e Sonic Youth na mesma noite. Foi o típico festival em que sonhamos com um line-up e quando nos damos conta, ele de fato existe. Na minha história de festivais, essa noite com certeza repousa no meu top 5. O show fez parte da turnê With Teeth e para reviver um pouco o ótimo momento, criei o playlist no Grooveshark com as músicas tocadas:

A segunda vez que vi, foi no Lollapalooza 2008, em Chicago. Nesse, o NIN já estava como o headliner fechando o festival no domingo. Lembro-me que, na época, eu estava cobrindo o festival pro rraurl e rolava um boato que o Obama, ainda candidato à presidência na época, apareceria na abertura do show do Kanye West. Então fiquei lá esperando, enquanto roía as unhas, já que o show do NIN começava mais ou menos no mesmo horário. Vi 3 músicas e atravessei o Grand Park correndo em 5 minutos (deve dar 1km de distância). Cheguei esbaforida dando de cara com um espetáculo de luzes. Foi me embrenhando no meio do pessoal até chegar bem próxima ao palco. O show foi lindo e completamente diferente do que eu tinha visto anterior. No palco uma banda ainda mais madura apresentando a turnê Lights in the Sky. Eu dei uma choradinha de emoção, em especial quando o próprio Trent fez um discurso emocionado, antes da música Hurt, ao lembrar de ter tocado no Lollapalooza em 1991, que vale ouvir aqui.

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O show foi incrível e tudo conspirava a favor, incluindo o lugar incrível, pois o skyline de Chicago atrás do palco é imbatível. E agora relembrar os momentos e assistir show dessa última turnê é um baita aquecimento para o show que nos aguarda no próximo Lollapalooza, quando a banda (finalmente) aterrissa por aqui novamente.

Caso se anime, assista também na íntegra o último show do NIN no Lollapalooza 2013, em Chicago. E confira o setlist completo de um show pra lá de caprichado:

Já viramos uma piada, mas ontem eu e o Ola nos casamos pela terceira vez. Temos, porém, uma explicação plausível: a primeira foi uma declaração de união estável para tentar regularizar a situação do Ola no Brasil, mas deu tudo errado. Ao invés de Polícia Federal, nos mandaram para o Ministério do Trabalho. Alguém explica?

A segunda foi nosso casamento com toda pompa que sequer pensamos que queríamos. Vestido branco, terno completo, madrinhas, dama de honra, igreja, troca de alianças, buquê voando, porre daqueles e todos os amigos e família em volta celebrando com a gente, numa festa que durou 3 dias.

foto: Rudá Cabral e Gokula Stoffel

foto: Rudá Cabral e Gokula Stoffel

E ontem, nosso terceiro casório, foi de fato o oficial burocraticamente falando. Depois de 1 ano tentando, finalmente conseguimos oficializar nosso casório no civil, o que me deu “Persson” no nome e ao Ola a possibilidade de ir e vir sem ter que ficar suando frio nas entradas e saídas do Brasil.

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O mais delicioso é que a cada uma dessas 3 vezes eu fiquei ansiosa, tive frio na barriga e me senti feliz por encontrar alguém tão incrível quanto o Ola. <3  Mas agora só comemorações, porque chega de casar, né? :)

Aproveito pra compartilhar um vídeo feito por amigos que captaram com seus smartphones o nosso casório na Suécia, editado graças ao meu padrinho e irmão de coração, Renato (aka Rseefo). Enjoy: